Vantagens e desafios do dispositivo OBD na Telemetria para Gestão de Frotas

05.04.2016 - Tecnologia OBD

A telemetria é uma das principais ferramentas para o Gestor de Frotas obter informações e tomar decisões que tragam resultados para as companhias.

Atualmente no Brasil existem mais de 200 empresas fornecedoras de tecnologia para Telemetria com diversos tipos de tecnologia, muitas delas já ultrapassadas.

Nos últimos anos têm se ouvido falar de OBD-II ou leitura da porta CAN para obter-se dados mais precisos de telemetria dos veículos, pois essa leitura de dados é feita através de um dispositivo Plug-and-Play diretamente na ECU (Unidade Central de processamento) dos veículos, trazendo informações mais fidedignas para o Gestor e possibilitando a tomada de decisões mais assertivas.

Porém, existem alguns desafios nessa jornada. A primeira informação que o Gestor espera coletar de forma automatizada é a quilometragem do veículo, entretanto essa não uma informação obrigatória segundo a especificação da norma ISO 15031, sendo assim, nenhuma montadora disponibiliza de forma padrão as informações disponíveis para leitura.

Mas calma, isso não inviabiliza obter a informação, pois ainda sim é possível chegar ao resultado esperado com precisão ou aproximação utilizando outros PIDs (Parâmetros de identificação) do OBD-II. Não são todos os veículos, mas alguns dos veículos nacionais já estão disponibilizando esses PIDs.

Já que chegamos a este assunto, outra informação bastante relevante e que todos buscam é: “Quais são as informações que o OBD-II disponibiliza então? ”. Vamos direto ao ponto: as informações disponibilizadas pelas montadoras variam de acordo com a ECU, que geralmente são Bosch ou Magneti Marelli, isto significa que um mesmo modelo de carro, do mesmo ano, fabricado em dias diferentes podem ter diferenças na quantidade de informações. Em geral os veículos mais novos (fabricados a partir de 2010) apresentam as seguintes informações:

  • Códigos de erro do DTC;
  • Velocidade;
  • RPM;
  • Tensão da bateria;
  • Posição do acelerador;
  • Temperatura do motor;
  • Temperatura do liquido de arrefecimento;
  • Abertura do coletor de admissão;
  • Distância percorrida desde a última falha;
  • Tipo de combustível;
  • Percentual de combustível no tanque;
  • Mistura de Etanol no combustível (depois da queima, medido pela sonda Lambda);
  • Consumo instantâneo de combustível;
  • Entre outras 40 variáveis.

Após testes em cerca de 1.000 veículos, sendo eles pesados e leves de marcas e modelos diferentes podemos assegurar que não existe um padrão.

Para sabermos exatamente o que cada veículo disponibiliza de informações, a melhor maneira ainda tem sido conectar o dispositivo no veículo ou fazer um levantamento prático de todas as marcas e modelos (como já vem sendo feito por nós).

Estes mesmos testes também nos mostraram que veículos fabricados a partir de 2013 são mais conectados, ou seja, disponibilizam uma quantidade maior de informações e que geralmente veículos de 2010 a 2012 permitem a leitura apenas dos 5 primeiros itens relacionados acima.

Em relação as montadoras a GM, Ford, Fiat e Toyota geralmente disponibilizam quase todos os itens acima. Renault, Citroën e Pegeout são pouco ou nada conectadas, apresentando no máximo 3 itens da tabela.

Na Toyota exceção faz-se a Hilux, que possui o protocolo MOBD, ou seja, é fechado pela montadora e não permite a leitura de nenhuma das informações, enquanto as concorrentes Frontier, Ranger e S10 são bem conectadas.

Nos pesados, Scania e Mercedes-Benz tem se mostrado com as mais conectadas, enquanto Volvo e VW exibem pouquíssimas informações, quando conectam. Vale lembrar que essas informações são baseadas em testes com cerca de 1.000 modelos e que a melhor forma de saber exatamente o que o veículo exibe é realmente testando.

Após todas essas informações surge um questionamento, se a leitura é feita através da porta OBD-II do veículo, ou seja, a mesma que o mecânico utiliza para conectar o raster, isso significa que a informação está lá, certo? Deveria ser, mas não é bem assim!

O mecânico utiliza ferramentas ou da montadora, ou de mercado com engenharia reversa, que permitem ler todas as informações criptografadas, conseguindo muito mais informações que o dispositivo OBD-II. De certa forma as montadoras acabam “obrigando” os mecânicos a terem ferramentas próprias de cada fabricante.

Existem hoje vários tipos de dispositivos que fazem a leitura da ECU, eles podem ser encontrados nas versões: Bluetooth, Wi-Fi e GPRS/3G/4G. Os modelos GPRS/3G/4G são os mais adequados para o mercado corporativo e de Gestão de Frotas, pois podem substituir os Rastreadores convencionais, fornecendo as informações dos veículos em tempo real, inclusive de localização. O Carrorama Fleet por exemplo, dispõe de um dispositivo inteligente, que além de leitor OBD-II (ou seja, indica os problemas mecânicos dos veículos) executa a função de localizador em tempo real e memoriza essas informações até mesmo em áreas de sombra transferindo-as para os servidores no momento em que a conexão se restabelecer. Além disso, conta também com uma bateria interna, responsável por manter o dispositivo operando quando o veículo estiver desligado.

Outro item importante são os sensores de gravidade (G-Sensor) instalados nesses dispositivos, que além de detectar acidentes e colisões, traçam o perfil de direção do motorista. Todas estas informações ficam armazenadas em nossos servidores e podem ser acessadas através de um portal web, apps e integrados via web service.

Gerenciar a frota através da tecnologia OBD-II é trazer ao gestor inúmeras informações importantes para tomada de decisões e a real redução de custos, é uma forma inovadora de utilizar de todas vantagens que a tecnologia tem a nos oferecer para superar os desafios diários da gestão da frota.